Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

Categoria: Meus Poetas

Solidão

celiamarques 26/03/2008 @ 00:21




Eu
aqui
sou um
estranho.
No passado,
me  encontrei
mas uma  ilusão
sonho mau  talvez
me escravizou  e eu
fui aprendendo  muito.
Um paralelo eu  vi, onde
a  sombra encobria  a vida
como nuvens encobrem o sol.
O  desamor  refletia  a  solidão
que  aumentava dia a dia sempre
querendo  ser ao longo do caminho
como  o  triângulo impotente  e  forte
que  de  um pingo se  inicia  invariável
e  invariavelmente  ruma para  o infinito
de braços abertos, num caminhar convicto.


 

"Tere Penhabe" 

As sem-razões do amor

celiamarques 08/02/2008 @ 12:30

Eu te amo porque te amo.

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

 

 

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

 

 

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

nem se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em sim mesmo.

 

 

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.

 

" Carlos Drummond de Andrade"

Sino da minha aldeia

celiamarques 07/11/2007 @ 00:40

 

flores078.jpg

Ah quanta melancolia!

celiamarques 08/10/2007 @ 19:36


Ah quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.




Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.


"Fernando Pessoa"

Amiga

celiamarques 24/04/2007 @ 11:28

Deixa-me ser tua amiga, amor,

a tua amiga só, já que não queres

que pelo teu amor seja a melhor,

a mais triste de todas as mulheres.

 

Que só de ti, me venha mágoa e dor

o que me importa a mim?! O que quizeres

é sempre num sonho bom! Seja o que for,

bendito sejas tu por mo dizeres!

 

Beija-me as mãos, amor, devagarinho...

como se os dois nascêssemos irmãos,

aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

 

Beija-mas bem!... Que fantasia louca

guardar assim, fechados, nestas mãos,

os beijos que sonhei prá minha boca!...

 

 

"Florbela Espanca"

Boémia

celiamarques 11/04/2007 @ 14:11

O que sonho não digo.

O que sofro, talvez fosse melhor

encobri-lo também.

Ninguém sabe o que sonha uma videira,

nem que tristeza chora, tesourada.

Mas o mosto que der, a bebedeira

que produzir,

será contada

no céu

vem dos deuses o ano como ele é,

e recebem apenas, como juro,

as flores e os frutos

da primavera.

 

Ah! Quem pudera

nem ser deus,

nem videira,

nem sonhar,

nem chorar,

nem andar nesta triste bebedeira!

 

"Miguel Torga"

À casa do coração

celiamarques 22/03/2007 @ 20:14

O coração tem dois quartos:

Ali moram, sem se vêr,

num a dor, noutro o prazer.

 

Quando o prazer, no seu quarto,

acorda cheio de ardor,

no seu adormece a dor...

 

Mais baixo, prazer! Cautela,

folga e ri mais devagar...

Não vá a dor acordar...

 

"Antero de Quental"

Voz divina

celiamarques 22/03/2007 @ 20:03

Na caminhada da vida

com o coraçãoem ferida

não perdeste a esperança.

Depois da tempestade

sonhaste com a bonança.

Então dentro de ti

no silêncio da tua consciência

sussurrou a voz divina,

que sempre nos ensina

a ter coragem,

a prosseguir energicamente

esperando o sol raiar

à nossa frente.

Não duvides menina,

não duvides nunca

da voz divina

"Guilhermina do Rosário Marques" 

Nada fui...

celiamarques 22/03/2007 @ 17:24

Atravessei os desertos

com inóspitas paisagens...

e sentimentos incertos

no mar das minhas miragens.

Tropecei nos vendavais

cheios de coisas banais...

E, nesta minha odisseia,

querendo ir mais além...

Na terra que me rodeia,

Nada fui... não sou ninguém!

 

"Grabiel Raminhos"

Soneto da fidelidade

celiamarques 21/03/2007 @ 18:14

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto.

Que mesmo em face do maior encanto

dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

e em seu louvor hei-de espalhar meu canto

e rir meu riso e derramar meu pranto

ao pesar ou seu contentamento.

 

E assim, quando mais tarde me procure

quem sabe a morte, angústia de quem vive

quem sabe a solidão, fim de quem ama.

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, pôsto que é chama

mas que seja infinito

enquanto dure.

 

"Vinicios de morais"